quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Nietzsche como Anticristo

O ataque direto que Nietzsche desencadeou contra o cristianismo radicalizou-se com o seu "O Anticristo" (Der Antichrist), mas foi inicialmente exposto na A genealogia da moral (Zur Genealogie der Moral), de 1887. Argumentou que a ética cristã era uma moral de escravos, de gente fraca e vil que havia, através do cristianismo, desvirilizado o espírito senhorial e dominante dos aristocratas. A origem desse processo, segundo Nietzsche, remontava à aos tempos da Palestina ocupada pela raça romana, raça de senhores. Os judeus, impotentes em poder livra-se deles, terminaram por aperfeiçoar a psicologia do ressentimento provocando uma inversão dos valores. Tudo aquilo que era "débil", "humilde", "medíocre", eles apresentaram como "bom", enquanto palavras tais como "nobreza', "honra", "valor", foram vistas como "mal". O resultado desse trabalho de sapador, feito por séculos de pregação cristã, foi o enfraquecimento das energias vivificantes da sociedade ocidental, especialmente das suas elites, na medida em que o "doentio moralismo ensinou o homem a envergonhar-se de todos os seus instintos".
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
"Já não estamos na periferia"
Doc Lisboa 2011: Frederick Wiseman abre, Ross McElwee fecha, Gonçalo Tocha em competição, o Médio Oriente em destaque e muito mais em apenas dez dias de cinema "acordado para o mundo"
Se dúvidas havia, é este ano que elas ficam resolvidas: à nona edição, DocLisboa entra definitivamente no "núcleo central" dos festivais de documentários. "Já não estamos na periferia", como disse ontem, na apresentação oficial do Doc, Augusto M. Seabra, programador associado do certame que decorrerá de 20 a 30 de Outubro próximos em Lisboa.
Não bastam os quase 37 mil espectadores da edição 2010. A prová-lo, em 2011, estão 172 filmes, entre os quais um "filme-surpresa", cinco estreias mundiais e 17 primeiras obras, exibidos ao longo de dez dias na Culturgest, nos cinemas São Jorge e Londres e na Cinemateca Portuguesa, com extensões no último fim de semana ao Cinema City Campo Pequeno e ao Teatro do Bairro. A abertura é com o mais recente documentário de Frederick Wiseman, "Crazy Horse", sobre o cabaré parisiense, estreado em Cannes 2011; o encerramento com "Photographic Memory", de Ross McElwee, que esteve em Veneza 2011
Pela primeira vez em cinco anos, um filme português estará na competição internacional: "É na Terra, Não É na Lua", de Gonçalo Tocha, que concorre ao prémio máximo do festival ao lado de obras que já causaram sensação noutros festivais como "Tahrir - Liberation Square" de Stefano Savona ou "Vol spécial" de Fernand Melgar.
Facto tanto mais significativo quanto as selecções competitivas - tanto internacional como nacional - têm este ano menos filmes. É uma opção e não falta de "oferta", como explicou na conferência de imprensa a programadora Anna Glogowski, que assume este ano a direcção do certame. "Vimos cerca de 1400 filmes, fora os que descobrimos em festivais. Mas as nossas grandes orientações para este ano eram tentar concentrar salas, diminuir o número de filmes propostos e estabelecer um diálogo entre as várias secções."
Esse diálogo pode, por exemplo, ser entre as actuais convulsões do Médio Oriente e os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. No primeiro caso, apresentar-se-ão obras sobre a "Primavera Árabe" de 2011 (casos de "Tahrir", rodado no Egipto durante a ocupação da Praça Tahrir, e do filme tunisino "Plus jamais peur" de Mourad ben Cheikh) e a "Revolução Verde" iraniana de 2009 ("Fragments d'une révolution", obra colectiva sobre as controversas eleições, e o muito aclamado filme sobre a prisão domiciliária de Jafar Panahi, "Isto Não É um Filme", que chegará às salas logo a seguir). No segundo, teremos uma retrospectiva de perto de duas dezenas de obras há muito invisíveis e nunca anteriormente reunidas sobre os movimentos de libertação de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, marcando o 50º aniversário do início da Guerra Colonial.
Essa política multidisciplinar prolonga-se para as duas retrospectivas históricas de 2011, dedicadas a um dos nomes centrais da evolução da forma-documentário, Jean Rouch (a decorrer durante o Doc e até Novembro na Cinemateca Portuguesa), e ao cineasta e artista visual Harun Farocki, "um velho sonho realizado" segundo Seabra, prolongada para a exposição "Três Duplas Projecções" que está já patente no Palácio Galveias.
Igualmente de nota é a secção musical Heartbeat, que se procurou "tão diversificada quanto possível", abrindo com uma das raras ocasiões de ver em grande écrã o documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison, "Living in the Material World". Miriam Makeba por Mika Kaurismäki (irmão de Aki), Michel Petrucciani por Michael Radford (autor de O Carteiro de Pablo Neruda) e os Ramones por Michael Gramaglia e Jim Fields são alguns dos outros nomes em foco na secção.
Haverá ainda um "filme-surpresa" de um dos grandes documentaristas da actividade - surpresa não por questão de marketing, segundo Augusto M. Seabra, "mas por constrangimentos relativos ao anúncio prévio" de filme.
E muitos mais nomes de peso pelas múltiplas secções do certame: por exemplo, os chineses Jia Zhang-ke e Wang Bing (com "I Wish I Knew" e "The Ditch", respectivamente, ambos em ante-estreia nacional). Ou os americanos James Benning ("Twenty Cigarettes") e Alex Gibney ("Client 9", sobre o escândalo de prostituição que "desgraçou" o governador de Nova Iorque Eliot Spitzer). Ou o alemão Cyril Tuschi, com o seu documentário de investigação sobre Mikhail Khodorkovsky. Ou Agnés Varda, de quem veremos em estreia mundial o primeiro episódio da série televisiva "Agnés de ci de là Varda", parcialmente rodado em Portugal e que Anna Glogowski define como "os passeios de Agnès".
É uma programação de luxo para apenas dez dias e só aflorámos a superfície. O melhor mesmo é consultar o programa em http://www.doclisboa.org/. Os bilhetes já se encontram à venda, na bilheteira central da Culturgest.
Se dúvidas havia, é este ano que elas ficam resolvidas: à nona edição, DocLisboa entra definitivamente no "núcleo central" dos festivais de documentários. "Já não estamos na periferia", como disse ontem, na apresentação oficial do Doc, Augusto M. Seabra, programador associado do certame que decorrerá de 20 a 30 de Outubro próximos em Lisboa.
Não bastam os quase 37 mil espectadores da edição 2010. A prová-lo, em 2011, estão 172 filmes, entre os quais um "filme-surpresa", cinco estreias mundiais e 17 primeiras obras, exibidos ao longo de dez dias na Culturgest, nos cinemas São Jorge e Londres e na Cinemateca Portuguesa, com extensões no último fim de semana ao Cinema City Campo Pequeno e ao Teatro do Bairro. A abertura é com o mais recente documentário de Frederick Wiseman, "Crazy Horse", sobre o cabaré parisiense, estreado em Cannes 2011; o encerramento com "Photographic Memory", de Ross McElwee, que esteve em Veneza 2011
Pela primeira vez em cinco anos, um filme português estará na competição internacional: "É na Terra, Não É na Lua", de Gonçalo Tocha, que concorre ao prémio máximo do festival ao lado de obras que já causaram sensação noutros festivais como "Tahrir - Liberation Square" de Stefano Savona ou "Vol spécial" de Fernand Melgar.
Facto tanto mais significativo quanto as selecções competitivas - tanto internacional como nacional - têm este ano menos filmes. É uma opção e não falta de "oferta", como explicou na conferência de imprensa a programadora Anna Glogowski, que assume este ano a direcção do certame. "Vimos cerca de 1400 filmes, fora os que descobrimos em festivais. Mas as nossas grandes orientações para este ano eram tentar concentrar salas, diminuir o número de filmes propostos e estabelecer um diálogo entre as várias secções."
Esse diálogo pode, por exemplo, ser entre as actuais convulsões do Médio Oriente e os movimentos de libertação das ex-colónias portuguesas. No primeiro caso, apresentar-se-ão obras sobre a "Primavera Árabe" de 2011 (casos de "Tahrir", rodado no Egipto durante a ocupação da Praça Tahrir, e do filme tunisino "Plus jamais peur" de Mourad ben Cheikh) e a "Revolução Verde" iraniana de 2009 ("Fragments d'une révolution", obra colectiva sobre as controversas eleições, e o muito aclamado filme sobre a prisão domiciliária de Jafar Panahi, "Isto Não É um Filme", que chegará às salas logo a seguir). No segundo, teremos uma retrospectiva de perto de duas dezenas de obras há muito invisíveis e nunca anteriormente reunidas sobre os movimentos de libertação de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, marcando o 50º aniversário do início da Guerra Colonial.
Essa política multidisciplinar prolonga-se para as duas retrospectivas históricas de 2011, dedicadas a um dos nomes centrais da evolução da forma-documentário, Jean Rouch (a decorrer durante o Doc e até Novembro na Cinemateca Portuguesa), e ao cineasta e artista visual Harun Farocki, "um velho sonho realizado" segundo Seabra, prolongada para a exposição "Três Duplas Projecções" que está já patente no Palácio Galveias.
Igualmente de nota é a secção musical Heartbeat, que se procurou "tão diversificada quanto possível", abrindo com uma das raras ocasiões de ver em grande écrã o documentário de Martin Scorsese sobre George Harrison, "Living in the Material World". Miriam Makeba por Mika Kaurismäki (irmão de Aki), Michel Petrucciani por Michael Radford (autor de O Carteiro de Pablo Neruda) e os Ramones por Michael Gramaglia e Jim Fields são alguns dos outros nomes em foco na secção.
Haverá ainda um "filme-surpresa" de um dos grandes documentaristas da actividade - surpresa não por questão de marketing, segundo Augusto M. Seabra, "mas por constrangimentos relativos ao anúncio prévio" de filme.
E muitos mais nomes de peso pelas múltiplas secções do certame: por exemplo, os chineses Jia Zhang-ke e Wang Bing (com "I Wish I Knew" e "The Ditch", respectivamente, ambos em ante-estreia nacional). Ou os americanos James Benning ("Twenty Cigarettes") e Alex Gibney ("Client 9", sobre o escândalo de prostituição que "desgraçou" o governador de Nova Iorque Eliot Spitzer). Ou o alemão Cyril Tuschi, com o seu documentário de investigação sobre Mikhail Khodorkovsky. Ou Agnés Varda, de quem veremos em estreia mundial o primeiro episódio da série televisiva "Agnés de ci de là Varda", parcialmente rodado em Portugal e que Anna Glogowski define como "os passeios de Agnès".
É uma programação de luxo para apenas dez dias e só aflorámos a superfície. O melhor mesmo é consultar o programa em http://www.doclisboa.org/. Os bilhetes já se encontram à venda, na bilheteira central da Culturgest.
Contágio

Título original:
Contagion
De:
Steven Soderbergh
Com:
Marion Cotillard, Matt Damon, Laurence Fishburne, Jude Law, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet
Género:
Drama, Thriller, Suspense
Classificação:
M/12
Outros dados:
EUA, 2011, Cores, 107 min.
Links:
Site Oficial
De regresso de uma viagem de negócios a Hong Kong, Beth Emhoff morre subitamente do que parece ser uma gripe comum, deixando Mitch, o seu marido, completamente arrasado. Poucos dias depois, outros casos com os mesmos sintomas chegam aos hospitais do país, incluindo o seu filho pequeno, que acaba também por morrer. É o início de uma pandemia fatal. E, apesar de a comunidade científica estar focada em encontrar uma maneira de travar aquele vírus, o pânico instala-se. À medida que a população se debate com um vírus mortal sem precedentes, torna-se imperativo, não apenas encontrar a cura, como travar o medo, que se demonstra ainda mais perigoso do que a própria doença....
Um thriller de acção realizado por Steven Soderbergh, que se debruça sobre as hipotéticas consequências de uma epidemia a nível mundial na sociedade contemporânea, onde a mobilidade é praticamente total. O elenco conta com a presença de Laurence Fishburne, Marion Cotillard, Matt Damon, John Hawkes, Jude Law, Gwyneth Paltrow ou Kate Winslet, entre outros. PÚBLICO
Uivo
Título original:
Howl
De:
Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Com:
James Franco, David Strathairn, Jon Hamm, Bob Balaban
Género:
Drama
Classificação:
M/12
Outros dados:
EUA, 2010, Cores, 84 min.
Links:
Site Oficial
Em 1956, Allen Ginsberg edita a obra "Howl and Other Poems", que se tornaria no livro de poesia mais vendido da História dos EUA. No ano seguinte, em São Francisco, esse livro, assim como o seu autor, é levado a tribunal acusado de obscenidade. A defesa ficará a cargo de Jake Ehrlich (Jon Hamm), um advogado prestigiado pela sua apaixonada defesa da liberdade civil. Através de uma entrevista ficcionada e seguindo o jovem Ginsberg (James Franco) durante todo o processo, os realizadores Rob Epstein e Jeffrey Friedman, mostram uma época fulcral no Movimento Beat e a sua importância no seio da contracultura dos EUA no final da década de 50, por muitos considerado como o esboço do movimento hippie, nascido na década seguinte. PÚBLICO
Howl
De:
Rob Epstein, Jeffrey Friedman
Com:
James Franco, David Strathairn, Jon Hamm, Bob Balaban
Género:
Drama
Classificação:
M/12
Outros dados:
EUA, 2010, Cores, 84 min.
Links:
Site Oficial
Em 1956, Allen Ginsberg edita a obra "Howl and Other Poems", que se tornaria no livro de poesia mais vendido da História dos EUA. No ano seguinte, em São Francisco, esse livro, assim como o seu autor, é levado a tribunal acusado de obscenidade. A defesa ficará a cargo de Jake Ehrlich (Jon Hamm), um advogado prestigiado pela sua apaixonada defesa da liberdade civil. Através de uma entrevista ficcionada e seguindo o jovem Ginsberg (James Franco) durante todo o processo, os realizadores Rob Epstein e Jeffrey Friedman, mostram uma época fulcral no Movimento Beat e a sua importância no seio da contracultura dos EUA no final da década de 50, por muitos considerado como o esboço do movimento hippie, nascido na década seguinte. PÚBLICO
domingo, 9 de outubro de 2011
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