sábado, 25 de dezembro de 2010
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
domingo, 5 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
TERATRON As Cobaias

Teratron é o projecto que junta João Nobre e Pedro Quaresma, dois dos elementos dos Da Weasel. “As Cobaias” é o título do segundo disco de originais baseado numa história original com dez capítulos, criada por Adolfo Luxúria Canibal.
Este novo projecto vai muito para além da música e será editado em formato de livro, onde a história, além de ser musicada, é também ilustrada integralmente em banda desenhada, por João Maio Pinto.
"As Cobaias" conta com as vozes do actor Miguel Guilherme, SP (SP & Wilson), New Max (Expensive Soul) e do próprio Adolfo Luxúria Canibal (Mão Morta).
Para além do livro/BD/CD, “As Cobaias” foi filmado num formato 3D com os desenhos e a banda a actuar ao vivo. Este especial 3D vai ser apresentado em diversas salas de cinema espalhadas pelo país no dia 7 de Dezembro.
Lisboa, Almada, Porto, Braga e Coimbra são as cidades onde vai ser apresentado este filme 3D.
domingo, 28 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
pró carlitos
"O punk nasceu de uma maneira bem pouco musical. Eu estava a andar com a minha camisa 'Eu odeio Pink Floyd' e fui convidado para ir à loja Sex de Malcom e Vivienne. Como não sabia cantar, fiz mímicas de uma música do Alice Cooper." Johnny Rotten (no livro "Rotten - No Irish, No Black, No Dogs")
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
ejaculação precoce
no outro dia foi tao rápido
ainda tentei me conter
mas não dava
és mesmo bonita
e sou tanto... ou tao pouco
nem sei o que escrever
de tanto te querer
e tu ai no chão
com tanto para me dar
e eu sei nada para dar a ti
a não ser este corpo feio
cheio de tanto e com nada para dar...
ainda tentei me conter
mas não dava
és mesmo bonita
e sou tanto... ou tao pouco
nem sei o que escrever
de tanto te querer
e tu ai no chão
com tanto para me dar
e eu sei nada para dar a ti
a não ser este corpo feio
cheio de tanto e com nada para dar...
terça-feira, 9 de novembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
sábado, 30 de outubro de 2010
dia
vejo que tudo está diferente
mas igualmente igual a antes...
talvez há anos
ninguém te ensina algo novo
apenas te faz relembrar aquilo que já sabias...
mas igualmente igual a antes...
talvez há anos
ninguém te ensina algo novo
apenas te faz relembrar aquilo que já sabias...
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
SLAYER
Bloodline (letra)
Eternal the kiss I breathe
Syphon your blood to me
Feel my wounds of your God
Forever reign immortality
I smell of death, I reek of hate
I will live forever
Lost child, pain of death
Bleeding screams of silence
In my veins your eternity
I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth
First breath 'fore I come alive
Learn to kill
Blood thirst the ways you feed your hunger
Dark shy has no rival test your faith in blood
Nightime as hunting packs of feeding frenzy
I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth
I am the first after last
Commune by a single kiss
Betray eternally I'll rip inside your soul
Contaminating the world
Deviding Godless sun
Black art to face your death
There will be a hit for me
King Take the flesh of life itself
Prepare to reign a thousand years
I'll kill you and your dreams tonight
Begin new life
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth
Bleed your death upon me
Bleed your death upon me
Bleed your death upon me
Let your Bloodline feed my youth
Geração Beat
Estar em movimento. Eis o principal objetivo da Geração Beat, grupo de jovens intelectuais americanos que, em meados dos anos 50, cansados da monotonia da vida ordenada e da idolatria à vida suburbana na América do pós-guerra, resolveram, regados a jazz, drogas, sexo livre e pé-na-estrada, fazer sua própria revolução cultural através da literatura.
O termo Beat, usado para classificar a nova geração, é de origem controversa. Jack Kerouac – principal escritor do movimento – queria que o termo fosse uma abreviação de beatitude (mesmo significado em português), enquanto outros, principalmente os críticos e estudiosos, atribuíram tal denominação à influência direta do jazz, principal fonte de gírias e novos termos da contracultura da época. Do soma do radical beat com o sufixo do satélite russo Sputnik, que havia sido mandado ao espaço em 1957, surge a palavra beatnik, usada para designar dali em diante todos os seguidores do movimento. 1957 foi também o ano da publicação de On the Road.
On the Road, de Kerouac, foi o marco milhar deste movimento que, como nenhum outro na história, recebeu imediata e completa cobertura dos meios de comunicação de massa, elevando à celebridade escritores até então obscuros, oriundos dos dormitórios das faculdades de Nova Iorque, São Francisco e Califórnia, jovens que lutavam para publicar seus primeiros trabalhos. Esta amplificação imediata e de costa-a-costa exauriu completamente o conteúdo e a voz do movimento por um processo que se tornaria muito comum nas décadas seguintes do século XX, a saturação da mídia (basta lembrar da declaração de Andy Warhol sobre os 15 minutos de fama), restando nos dias de hoje do grande ‘boom” de três anos e dezenas de livros, poucas obras de qualidade artística inquestionável. Apesar desta saturação, a mensagem dos beatniks – a revolução na linguagem e nos costumes – só repercutiria decisivamente sobre o comportamento dos jovens americanos uma década mais tarde com o aparecimento das primeiras comunidades hippies no final dos anos 60.
A geração Beat foi composta basicamente por homens, que podiam ou não manter relações sexuais entre si, fato, porém, de secundária importância, uma vez que o principal objetivo desses escritores era estar em conjunto, desfrutar de parceria nas viagens, tanto físicas quanto psicotrópicas. Pode-se dizer que esse prazer de estar entre amigos, essa espécie de prolongamento do sentimento colegial de fazer parte de uma turma, de estar para sempre entre grandes camaradas foi a tônica do discurso literário, o leitmotiv de toda a Geração. Atente para o terrível sentimento de perda desta comunidade nas palavras do poeta Allen Ginsberg na famosa introdução do poema O uivo:
Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, (...)
Esta idéia de desmantelamento inevitável, primeiro dos indivíduos e depois das relações interpessoais, é muito bem expressa nas palavras do crítico americano Eric Homberger:
“A literatura dos Beats é sobre o laço de amizade entre homens, sobre a afetuosidade entre eles, sobre a tristeza da descoberta de que o amor e a paixão fenecem. Todo o resto – o zelo pela religião oriental, o flerte com o Existencialismo, a fascinação pelos sonhos, o radicalismo político, a paixão pelas drogas, a liberdade sexual – era meramente decoração de uma complexa rede de relacionamentos pessoais”.
Os principais expoentes da Geração Beat e suas obras
Jack Kerouac - Pé na estrada (On the Road, 1957);
William Burroughs - Junkie (1953) e O Almoço nu (The Naked Lunch, 1959);
Allen Ginsberg - O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960);
Gregory Corso - “Marriege” (1960);
Gary Snyder - Riprap (1959).
O termo Beat, usado para classificar a nova geração, é de origem controversa. Jack Kerouac – principal escritor do movimento – queria que o termo fosse uma abreviação de beatitude (mesmo significado em português), enquanto outros, principalmente os críticos e estudiosos, atribuíram tal denominação à influência direta do jazz, principal fonte de gírias e novos termos da contracultura da época. Do soma do radical beat com o sufixo do satélite russo Sputnik, que havia sido mandado ao espaço em 1957, surge a palavra beatnik, usada para designar dali em diante todos os seguidores do movimento. 1957 foi também o ano da publicação de On the Road.
On the Road, de Kerouac, foi o marco milhar deste movimento que, como nenhum outro na história, recebeu imediata e completa cobertura dos meios de comunicação de massa, elevando à celebridade escritores até então obscuros, oriundos dos dormitórios das faculdades de Nova Iorque, São Francisco e Califórnia, jovens que lutavam para publicar seus primeiros trabalhos. Esta amplificação imediata e de costa-a-costa exauriu completamente o conteúdo e a voz do movimento por um processo que se tornaria muito comum nas décadas seguintes do século XX, a saturação da mídia (basta lembrar da declaração de Andy Warhol sobre os 15 minutos de fama), restando nos dias de hoje do grande ‘boom” de três anos e dezenas de livros, poucas obras de qualidade artística inquestionável. Apesar desta saturação, a mensagem dos beatniks – a revolução na linguagem e nos costumes – só repercutiria decisivamente sobre o comportamento dos jovens americanos uma década mais tarde com o aparecimento das primeiras comunidades hippies no final dos anos 60.
A geração Beat foi composta basicamente por homens, que podiam ou não manter relações sexuais entre si, fato, porém, de secundária importância, uma vez que o principal objetivo desses escritores era estar em conjunto, desfrutar de parceria nas viagens, tanto físicas quanto psicotrópicas. Pode-se dizer que esse prazer de estar entre amigos, essa espécie de prolongamento do sentimento colegial de fazer parte de uma turma, de estar para sempre entre grandes camaradas foi a tônica do discurso literário, o leitmotiv de toda a Geração. Atente para o terrível sentimento de perda desta comunidade nas palavras do poeta Allen Ginsberg na famosa introdução do poema O uivo:
Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus, arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violenta de qualquer coisa, (...)
Esta idéia de desmantelamento inevitável, primeiro dos indivíduos e depois das relações interpessoais, é muito bem expressa nas palavras do crítico americano Eric Homberger:
“A literatura dos Beats é sobre o laço de amizade entre homens, sobre a afetuosidade entre eles, sobre a tristeza da descoberta de que o amor e a paixão fenecem. Todo o resto – o zelo pela religião oriental, o flerte com o Existencialismo, a fascinação pelos sonhos, o radicalismo político, a paixão pelas drogas, a liberdade sexual – era meramente decoração de uma complexa rede de relacionamentos pessoais”.
Os principais expoentes da Geração Beat e suas obras
Jack Kerouac - Pé na estrada (On the Road, 1957);
William Burroughs - Junkie (1953) e O Almoço nu (The Naked Lunch, 1959);
Allen Ginsberg - O uivo (Howl, 1956) e Kaddish (1960);
Gregory Corso - “Marriege” (1960);
Gary Snyder - Riprap (1959).
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Poema de Amor para Uso Tópico
Quero-te, como se fosses
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”
a presa indiferente, a mais obscura
das amantes. Quero o teu rosto
de brancos cansaços, as tuas mãos
que hesitam, cada uma das palavras
que sem querer me deste. Quero
que me lembres e esqueças como eu
te lembro e esqueço: num fundo
a preto e branco, despida como
a neve matinal se despe da noite,
fria, luminosa,
voz incerta de rosa.
Nuno Júdice, in “Poesia Reunida”
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
ALDEIA GLOBAL
[Adolfo Luxúria Canibal / Miguel Pedro]
anda eufórica toda a gente com a era da informação fechada em casa ligada à rede ou grudada à televisão na vertigem das notícias em constante circulação sempre mais e mais depressa tornou-se a grande obsessão "é a aldeia global" - explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de maravilhas dos novos tempos, sem discernirem que aldeia sempre foi o sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico e que, de qualquer modo, o que verdadeiramente importa se mantém secreto. do além-mar ou da mafia julgam que tudo se pode saber econonomia ou política? o difícil é o escolher crimes de sangue relatos de amor são mais fáceis de perceber "é a aldeia global" - explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de últimos acontecimentos, sem discernirem que, contrariamente ao mundo observado directamente, em que a relação com o real é absoluta, estão a consumir meros resumos simplificados da realidade, manipulados num fluxo de imagens de que são simples espectadores e cuja escolha, cadência e direcção não controlam nem têm possibilidade de verificar a veracidade e em que, finalmente, no frenesim meticulosamente planeado de dados surpreendentes, o que verdadeiramente importa se mantém secreto. o que importa é saber onde raio se oculta o poder
anda eufórica toda a gente com a era da informação fechada em casa ligada à rede ou grudada à televisão na vertigem das notícias em constante circulação sempre mais e mais depressa tornou-se a grande obsessão "é a aldeia global" - explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de maravilhas dos novos tempos, sem discernirem que aldeia sempre foi o sinónimo de isolamento e conformismo, de mesquinhez, aborrecimento e mexerico e que, de qualquer modo, o que verdadeiramente importa se mantém secreto. do além-mar ou da mafia julgam que tudo se pode saber econonomia ou política? o difícil é o escolher crimes de sangue relatos de amor são mais fáceis de perceber "é a aldeia global" - explicam num júbilo imbecil, prontos a desfilar o rosário de últimos acontecimentos, sem discernirem que, contrariamente ao mundo observado directamente, em que a relação com o real é absoluta, estão a consumir meros resumos simplificados da realidade, manipulados num fluxo de imagens de que são simples espectadores e cuja escolha, cadência e direcção não controlam nem têm possibilidade de verificar a veracidade e em que, finalmente, no frenesim meticulosamente planeado de dados surpreendentes, o que verdadeiramente importa se mantém secreto. o que importa é saber onde raio se oculta o poder
domingo, 26 de setembro de 2010
Mais uma golpada - Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE
ISTO AINDA VAI ACABAR POR PROVOCAR UMA REVOLUÇÃO E O PIOR É QUE EM VEZ DE SER UM 25 DE ABRIL SÓ PODE VIR A SER UM 28 DE MAIO.
Mais uma golpada - Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE
É uma golpada com muita classe, e os golpeados somos nós....
Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.
Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.
Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.
Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».
E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».
E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos».
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE forem mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a benção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de
uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados
baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público. Mas, voltemos à nossa história.
O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias,
subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.
Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o
sector energético.
E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não.
A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE? Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.
Mais uma golpada - Jorge Viegas Vasconcelos despediu-se da ERSE
É uma golpada com muita classe, e os golpeados somos nós....
Era uma vez um senhor chamado Jorge Viegas Vasconcelos, que era presidente de uma coisa chamada ERSE, ou seja, Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, organismo que praticamente ninguém conhece e, dos que conhecem, poucos devem saber para o que serve.
Mas o que sabemos é que o senhor Vasconcelos pediu a demissão do seu cargo porque, segundo consta, queria que os aumentos da electricidade ainda fossem maiores. Ora, quando alguém se demite do seu emprego, fá-lo por sua conta e risco, não lhe sendo devidos, pela entidade empregadora, quaisquer reparos, subsídios ou outros quaisquer benefícios.
Porém, com o senhor Vasconcelos não foi assim. Na verdade, ele vai para casa com 12 mil euros por mês - ou seja, 2.400 contos - durante o máximo de dois anos, até encontrar um novo emprego.
Aqui, quem me ouve ou lê pergunta, ligeiramente confuso ou perplexo: «Mas você não disse que o senhor Vasconcelos se despediu?».
E eu respondo: «Pois disse. Ele demitiu-se, isto é, despediu-se por vontade própria!».
E você volta a questionar-me: «Então, porque fica o homem a receber os tais 2.400contos por mês, durante dois anos? Qual é, neste país, o trabalhador que se despede e fica a receber seja o que for?».
Se fizermos esta pergunta ao ministério da Economia, ele responderá, como já respondeu, que «o regime aplicado aos membros do conselho de administração da ERSE foi aprovado pela própria ERSE». E que, «de acordo com artigo 28 dos Estatutos da ERSE, os membros do conselho de administração estão sujeitos ao estatuto do gestor público em tudo o que não resultar desses estatutos».
Ou seja: sempre que os estatutos da ERSE forem mais vantajosos para os seus gestores, o estatuto de gestor público não se aplica.
Dizendo ainda melhor: o senhor Vasconcelos (que era presidente da ERSE desde a sua fundação) e os seus amigos do conselho de administração, apesar de terem o estatuto de gestores públicos, criaram um esquema ainda mais vantajoso para si próprios, como seja, por exemplo, ficarem com um ordenado milionário quando resolverem demitir-se dos seus cargos. Com a benção avalizadora, é claro, dos nossos excelsos governantes.
Trata-se, obviamente, de um escândalo, de uma imoralidade sem limites, de
uma afronta a milhões de portugueses que sobrevivem com ordenados
baixíssimos e subsídios de desemprego miseráveis. Trata-se, em suma, de um desenfreado, e abusivo desavergonhado abocanhar do erário público. Mas, voltemos à nossa história.
O senhor Vasconcelos recebia 18 mil euros mensais, mais subsídio de férias,
subsídio de Natal e ajudas de custo. 18 mil euros seriam mais de 3.600 contos, ou seja, mais de 120 contos por dia, sem incluir os subsídios de férias e Natal e ajudas de custo.
Aqui, uma pergunta se impõe: Afinal, o que é - e para que serve - a ERSE? A missão da ERSE consiste em fazer cumprir as disposições legislativas para o
sector energético.
E pergunta você, que não é burro: «Mas para fazer cumprir a lei não bastam os governos, os tribunais, a polícia, etc.?». Parece que não.
A coisa funciona assim: após receber uma reclamação, a ERSE intervém através da mediação e da tentativa de conciliação das partes envolvidas. Antes, o consumidor tem de reclamar junto do prestador de serviço.
Ou seja, a ERSE não serve para nada. Ou serve apenas para gastar somas astronómicas com os seus administradores. Aliás, antes da questão dos aumentos da electricidade, quem é que sabia que existia uma coisa chamada ERSE? Até quando o povo português, cumprindo o seu papel de pachorrento bovino, aguentará tão pesada canga? E tão descarado gozo? Politicas à parte estou em crer que perante esta e outras, só falta mesmo manifestarmos a nossa total indignação.
domingo, 19 de setembro de 2010
A Sociedade do Espetáculo
O espetáculo é a ideologia por excelência,
porque expõe e manifesta na sua plenitude a
essência de qualquer sistema ideológico: o
empobrecimento, a submissão e a negação da
vida real. O espetáculo é, materialmente, «a
expressão da separação e do afastamento entre
o homem e o homem». O «novo poderio do
embuste» que se concentrou aí tem a sua base
na produção onde surge «com a massa
crescente de objetos... um novo domínio de
seres estranhos aos quais o homem se
submete». É grau supremo duma expansão que
necessariamente se coloca contra a vida. «A
necessidade de dinheiro é portanto a verdadeira
necessidade produzida pela economia política, e
a única necessidade que ela
produz» (Manuscritos econômico-filosóficos). O
espetáculo estende por toda a vida social o
princípio que Hegel, na Realphilosophie de Iena,
concebe quanto ao dinheiro; é «a vida do que
está morto movendo-se em si própria» .
http://www.arq.ufsc.br/esteticadaarquitetura/debord_sociedade_do_espetaculo.pdf
porque expõe e manifesta na sua plenitude a
essência de qualquer sistema ideológico: o
empobrecimento, a submissão e a negação da
vida real. O espetáculo é, materialmente, «a
expressão da separação e do afastamento entre
o homem e o homem». O «novo poderio do
embuste» que se concentrou aí tem a sua base
na produção onde surge «com a massa
crescente de objetos... um novo domínio de
seres estranhos aos quais o homem se
submete». É grau supremo duma expansão que
necessariamente se coloca contra a vida. «A
necessidade de dinheiro é portanto a verdadeira
necessidade produzida pela economia política, e
a única necessidade que ela
produz» (Manuscritos econômico-filosóficos). O
espetáculo estende por toda a vida social o
princípio que Hegel, na Realphilosophie de Iena,
concebe quanto ao dinheiro; é «a vida do que
está morto movendo-se em si própria» .
http://www.arq.ufsc.br/esteticadaarquitetura/debord_sociedade_do_espetaculo.pdf
sábado, 18 de setembro de 2010
vulcão 2
o vulcão voltou
e desta vez para ficar
desta vez não quero saber
vou-me entregar de corpo e alma
sem saber o que me vai acontecer
para depois não poder dizer:
"eu disse-te"
e desta vez para ficar
desta vez não quero saber
vou-me entregar de corpo e alma
sem saber o que me vai acontecer
para depois não poder dizer:
"eu disse-te"
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
vulcão
tenho um vulcão dentro de mim
quando vem só quer saber de si
não se importa com mais nada
só consigo
não quer saber de sentimentos
mergulha na solidão
e quer estar só
será que ele sou eu
ou só parte de mim?
ou então nenhum deles?
quando vem só quer saber de si
não se importa com mais nada
só consigo
não quer saber de sentimentos
mergulha na solidão
e quer estar só
será que ele sou eu
ou só parte de mim?
ou então nenhum deles?
terça-feira, 7 de setembro de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
amor
criás-te um monstro
levas-te a crer que era possivel
mudás-te de um dia para o outro
e então passou de amor para ódio
voltas-te a emancipar o pior que há em mim
já me tinha esquecido do que era
mas estava lá no fundo
nas etranhas
o ódio voltou
para não mais sair
pelo menos durante um tempo
o que vale é que ainda deves estar pior do que eu
afinal és um monstro com ar de anjo
levas-te a crer que era possivel
mudás-te de um dia para o outro
e então passou de amor para ódio
voltas-te a emancipar o pior que há em mim
já me tinha esquecido do que era
mas estava lá no fundo
nas etranhas
o ódio voltou
para não mais sair
pelo menos durante um tempo
o que vale é que ainda deves estar pior do que eu
afinal és um monstro com ar de anjo
quando o abutre és tu
- és uma parte importante da minha vida
- ai sou?
- temos que ir ao bairro
- ok...
-------------------------------------------------------------------------------------
- gostei muito do nosso dia no bairro. ihihi
- ai foi? nem consigo parar de sorrir :)
- ihihi
-------------------------------------------------------------------------------------
- és o meu amor!! luz da minha vida!!
- ai sou? mas tu não amavas outro?
- ihihi agora amo outro!! és tu minha luz!!
- ihihi
- ai sou?
- temos que ir ao bairro
- ok...
-------------------------------------------------------------------------------------
- gostei muito do nosso dia no bairro. ihihi
- ai foi? nem consigo parar de sorrir :)
- ihihi
-------------------------------------------------------------------------------------
- és o meu amor!! luz da minha vida!!
- ai sou? mas tu não amavas outro?
- ihihi agora amo outro!! és tu minha luz!!
- ihihi
domingo, 4 de julho de 2010
amizade
rapaz careca fala a rapariga com farta cabeleira loura.
- trocas amizade por amor?
> um não nasce do outro?
- amizade é amor?
> amizade não é amor!
- mas preciso de ter amizade para ter amor
> só me torno tua amiga se me amares
- ...
- trocas amizade por amor?
> um não nasce do outro?
- amizade é amor?
> amizade não é amor!
- mas preciso de ter amizade para ter amor
> só me torno tua amiga se me amares
- ...
domingo, 27 de junho de 2010
só
há muito tempo que estava sozinho. saia do trabalho e apanhava o comboio sempre há mesma hora. a mulher de cabelos compridos sentava-se sempre no banco da frente. durante a viagem olhava-a de cima a baixo, não sabia como lhe dizer que a amava. nem sequer tinham falado mas ele sabia que o que sentia por ela era amor. de vez em quando ela também o olhava, mas discretamente, ao ponto de ele não reparar. usava sempre óculos escuro para não se notar em que direcção olhava. ele todos os dias sonhava com ela. nos dias seguintes sentiu o impulso de ir falar com ela mas este era menor que o medo de ser rejeitado. no trabalho o chefe que o chateava todos os dias convidou-o para beberem um copo. saiu de lá perdido de bêbado e seguiu de imediato para o comboio. encontrou-a e disse:
olá
olá, eu conheço-te?
acho que sim. vêmo-nos tdos os dias no comboio mas não nos falamos
e deviamos?
acho que sim afinal somos apenas pessoas. animaizinhos que andam por aqui a tentar ser felizes. e a maior parte das vezes nem o somos
mas somos animais diferentes porque pensamos
sim mas por vezes também pensamos demais. deviamos nos guiar mais pelos instintos e apenas sobreviver
e ai como ficaria a cultura? não achas que ela é necessária?
apenas como fonte de catarse. acho que a cultura é sobrevalorizada, não alimenta o corpo
mas alimenta a alma
a partir desse dia os dois foram sempre a falar e nunca mais se sentiram sós.
olá
olá, eu conheço-te?
acho que sim. vêmo-nos tdos os dias no comboio mas não nos falamos
e deviamos?
acho que sim afinal somos apenas pessoas. animaizinhos que andam por aqui a tentar ser felizes. e a maior parte das vezes nem o somos
mas somos animais diferentes porque pensamos
sim mas por vezes também pensamos demais. deviamos nos guiar mais pelos instintos e apenas sobreviver
e ai como ficaria a cultura? não achas que ela é necessária?
apenas como fonte de catarse. acho que a cultura é sobrevalorizada, não alimenta o corpo
mas alimenta a alma
a partir desse dia os dois foram sempre a falar e nunca mais se sentiram sós.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
abutres
os abutres rondam a presa
procuram saber se ele está morta
incapaz de se defender dos necrófagos
ferida e inocente antes da morte
e os abutres procuram mais uma vitima
com os seus pescoços compridos e cheios de veias
avistam as suas vitimas ao longe
com olhos de lince e garras de demónio
procuram sacear os seus apetites
malditos abutres! cheiram a carne putrefacta
e a morte
são apenas o principio da degradação
com bicos pontiagudos comem os mortos
e nem sabem que o que comem não está vivo
para eles apenas não se mexe
não dá luta e comem e comem...
abutres sujos com penas à volta do pescoço
e garras de diabo voltam ao ataque
ao morto que não se mexe
e não dá luta
procuram saber se ele está morta
incapaz de se defender dos necrófagos
ferida e inocente antes da morte
e os abutres procuram mais uma vitima
com os seus pescoços compridos e cheios de veias
avistam as suas vitimas ao longe
com olhos de lince e garras de demónio
procuram sacear os seus apetites
malditos abutres! cheiram a carne putrefacta
e a morte
são apenas o principio da degradação
com bicos pontiagudos comem os mortos
e nem sabem que o que comem não está vivo
para eles apenas não se mexe
não dá luta e comem e comem...
abutres sujos com penas à volta do pescoço
e garras de diabo voltam ao ataque
ao morto que não se mexe
e não dá luta
quarta-feira, 23 de junho de 2010
o prazer do trabalho
no cantos da noite andam como sombras
tentam-se se esconder das luzes dos carros
fazem fuga quando vêm os pirilampos
os seus inimigos mortais
e vêm ao de cima em busca de algo
os homens dizem que é o prazer
e elas dizem que é o trabalho
como se tratasse de um comum emprego
8 às 17 com uma hora de almoço
subsidio de desemprego e segurança social
tentam-se se esconder das luzes dos carros
fazem fuga quando vêm os pirilampos
os seus inimigos mortais
e vêm ao de cima em busca de algo
os homens dizem que é o prazer
e elas dizem que é o trabalho
como se tratasse de um comum emprego
8 às 17 com uma hora de almoço
subsidio de desemprego e segurança social
a doença
a doença come-te por dentro
sentes que te devora
e até gostas que te coma
o problema é que a doença não é fisica
é apenas na cabeça
e isso faz doer mais
mas como não sabes evitar a dor
(só evitando pensar)
julgas que depois passa
mas ainda continua e cada vez será pior
sentes que te devora
e até gostas que te coma
o problema é que a doença não é fisica
é apenas na cabeça
e isso faz doer mais
mas como não sabes evitar a dor
(só evitando pensar)
julgas que depois passa
mas ainda continua e cada vez será pior
terça-feira, 15 de junho de 2010
deus
ontem vi deus
estava numa esquina duma rua escura
tinha umas ligas e um baton rasca
também calçava saltos altos
tinha um ar pouco lavado
perguntei-lhe onde esteve este tempo todo
ele disse-me que agora não podia
que estava a trabalhar
e ainda tinha muito para chupar
estava numa esquina duma rua escura
tinha umas ligas e um baton rasca
também calçava saltos altos
tinha um ar pouco lavado
perguntei-lhe onde esteve este tempo todo
ele disse-me que agora não podia
que estava a trabalhar
e ainda tinha muito para chupar
domingo, 6 de junho de 2010
vómito na bambolina
bukowski vomitou na bambolina. prestou-se mais uma vez a descarregar o liquido viscoso do seu estômago nos passeios alverquenses. instituido na arte de beber e intrigado pela cor da corrosidade do liquido dentro de si resolveu meter tudo cá para fora pois estava farto do escárnio da sociedade que o fazia infeliz.
VIVA BUKOWSKI QUE NÃO SE ENTREGA AO MARASMO DO VIVER HABITUALMENTE NA PODRIDÃO DA POPULAÇA!
rangendo os dentes e, de vez em quando, serrando os punhos em contraste com a passividade das multidões alienadas pelos idolos e medos. trincando os lábios para não deixar fugir o sabor da vingança tal como ela deve ser feita. vingança e revolução, dois termos que tudo dizem e nada exprimem. bukowski a vomitar na bambolina é a verdadeira revolução!
levantou a camisola para os outros verem a flacides do ser e entre dobras de gordura demonstrou que a vida é mais do que a imagem e que todos nós temos que vomitar essa loucura.
VIVA BUKOWSKI! VIVA A REVOLUÇÃO!
do vómito sai o sangue das visceras do bêbado. demasiado bêbado para entender que este era o seu sangue. fruto da sonolência do vinho e do figado que já não pode com tanta agressão. corroido até ao tutano pela força do vinho que passa nas suas veias e interrompe o sofrimento.
FORA COM BUKOWSKI! MATEM-NO DEPRESSA! ELE É A DEGENERAÇÃO DA FORÇA QUE CADA HOMEM CARREGA EM SI! MATEM-NO E DEPRESSA! SEM PIEDADE PELA FRAQUEZA DO VICIO!
VIVA BUKOWSKI QUE NÃO SE ENTREGA AO MARASMO DO VIVER HABITUALMENTE NA PODRIDÃO DA POPULAÇA!
rangendo os dentes e, de vez em quando, serrando os punhos em contraste com a passividade das multidões alienadas pelos idolos e medos. trincando os lábios para não deixar fugir o sabor da vingança tal como ela deve ser feita. vingança e revolução, dois termos que tudo dizem e nada exprimem. bukowski a vomitar na bambolina é a verdadeira revolução!
levantou a camisola para os outros verem a flacides do ser e entre dobras de gordura demonstrou que a vida é mais do que a imagem e que todos nós temos que vomitar essa loucura.
VIVA BUKOWSKI! VIVA A REVOLUÇÃO!
do vómito sai o sangue das visceras do bêbado. demasiado bêbado para entender que este era o seu sangue. fruto da sonolência do vinho e do figado que já não pode com tanta agressão. corroido até ao tutano pela força do vinho que passa nas suas veias e interrompe o sofrimento.
FORA COM BUKOWSKI! MATEM-NO DEPRESSA! ELE É A DEGENERAÇÃO DA FORÇA QUE CADA HOMEM CARREGA EM SI! MATEM-NO E DEPRESSA! SEM PIEDADE PELA FRAQUEZA DO VICIO!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
problemas
a violência não é mais que a demonstração fisica da frustação
a frustação não é mais que a dificil relação com os nossos problemas
os nossos problemas não são mais que uma percepção da realidade
a percepção da realidade apenas é o que nós queremos
então não há problemas
nós é que os criamos
a frustação não é mais que a dificil relação com os nossos problemas
os nossos problemas não são mais que uma percepção da realidade
a percepção da realidade apenas é o que nós queremos
então não há problemas
nós é que os criamos
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Requiem por Muitos Maios
Conheci tipos que viveram muito. Estão
mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço.
de álcool, da obrigação de viver
que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que
mulheres os lembram com a nostalgia
de um abraço? Que amigos falam ainda, por vezes,
para o lado, como se eles estivessem à sua
beira?
No entanto, invejo-os. Acompanhei-os
em noites de bares e insónia até ao fundo
da madrugada; despejei o fundo dos seus copos,
onde só os restos de vinho manchavam
o vidro; respirei o fumo dessas salas onde as suas
vozes se amontoavam como cadeiras num fim
de festa. Vi-os partir, um a um, na secura
das despedidas.
E ouvi os queixumes dessas a quem
roubaram a vida. Recolhi as suas palavras em versos
feitos de lágrimas e silêncios. Encostei-me
à palidez dos seus rostos, perguntando por eles - os
amantes luminosos da noite. O sol limpava-lhes
as olheiras; uma saudade marítima caía-lhes
dos ombros nus. Amei-as sem nada lhes dizer - nem do amor,
nem do destino desses que elas amaram.
Conheci tipos que viveram muito - os
que nunca souberam nada da própria vida.
Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"
mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço.
de álcool, da obrigação de viver
que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que
mulheres os lembram com a nostalgia
de um abraço? Que amigos falam ainda, por vezes,
para o lado, como se eles estivessem à sua
beira?
No entanto, invejo-os. Acompanhei-os
em noites de bares e insónia até ao fundo
da madrugada; despejei o fundo dos seus copos,
onde só os restos de vinho manchavam
o vidro; respirei o fumo dessas salas onde as suas
vozes se amontoavam como cadeiras num fim
de festa. Vi-os partir, um a um, na secura
das despedidas.
E ouvi os queixumes dessas a quem
roubaram a vida. Recolhi as suas palavras em versos
feitos de lágrimas e silêncios. Encostei-me
à palidez dos seus rostos, perguntando por eles - os
amantes luminosos da noite. O sol limpava-lhes
as olheiras; uma saudade marítima caía-lhes
dos ombros nus. Amei-as sem nada lhes dizer - nem do amor,
nem do destino desses que elas amaram.
Conheci tipos que viveram muito - os
que nunca souberam nada da própria vida.
Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"
humpty e dumpty
o humpty e o dumpty estavam no seu muro e tinham um profundo desejo de serem partidos. sonhavam com uma bela omolete- oh como eles queriam a mais perfeita das omoletes!
- era tão boa aquela frigideira mas já não está aqui...
- mas não havia outra?
- sim mas acho que não gosto muito... é uma frigideira muito novinha...
humpty era o mais convicto.
- eu cá não faço omoletes com qualquer frigideira!! há frigideiras que vão logo fazer omoletes! devassas!
- e outras ainda querem que um ovo tenha sentido de humor! estas frigideiras...
mas dumpty acima de tudo tinha algumas certezas.
- eu posso ser um falhado mas de uma coisa tenho certeza- omoletes só com as melhores frigideiras!
- era tão boa aquela frigideira mas já não está aqui...
- mas não havia outra?
- sim mas acho que não gosto muito... é uma frigideira muito novinha...
humpty era o mais convicto.
- eu cá não faço omoletes com qualquer frigideira!! há frigideiras que vão logo fazer omoletes! devassas!
- e outras ainda querem que um ovo tenha sentido de humor! estas frigideiras...
mas dumpty acima de tudo tinha algumas certezas.
- eu posso ser um falhado mas de uma coisa tenho certeza- omoletes só com as melhores frigideiras!
terça-feira, 25 de maio de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
Annabel Lee- Allan Poe
Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor -
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.
Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor -
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.
E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar...
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.
Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.
Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim 'stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar.
Só- Allan Poe
Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.
O Corvo- Edgar Allan Poe
Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.
E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."
Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."
Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."
No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."
Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."
Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?
"E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!
(Tradução de Machado de Assis)
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
"É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais."
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.
E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e: "Com efeito
(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais."
Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: "Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais."
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais."
Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady. E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: "Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: "Nunca mais."
No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: "Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
"Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: "Nunca mais."
Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: "Nunca mais."
Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: "Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: "Existe acaso um bálsamo no mundo?
"E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!"
E o Corvo disse: "Nunca mais."
"Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua."
E o Corvo disse: "Nunca mais."
E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!
(Tradução de Machado de Assis)
sexta-feira, 21 de maio de 2010
O Que Faremos Agora?
O que faremos para enchermos os espaços vazios?
Onde ondas de fome urram
Nós devemos atravessar o mar de rostos?
À procura de mais e mais aplausos
Devemos comprar uma nova guitarra?
Devemos dirigir um carro mais potente?
Devemos trabalhar a noite toda?
Devemos ter dentro de nós, espírito de luta?
Deixe as luzes acesas
As bombas caírem
Viaje para o oriente
Contraia doenças
Enterre os ossos
Destrua as casas
Envie flores pelo telefone
Tome um drink
Vá a um psicólogo
Deixe de comer carne
Durma poucas vezes
Trate as pessoas como se fossem uns animais de estimação
Treine os cachorros
Para correrem atrás dos ratos
Encha o sótão de dinheiro vivo
Enterre o tesouro
Armazene o tédio
Mas de maneira alguma relaxe
Com nossas costas viradas para o muro
escorpiões com sida
os escorpiões com sida afastavam-se das pessoas para não os tocarem. poderiam ficar infectados com a doença. cuidado, afastem-se!! eles vêm ai... e trazem a morte...
quinta-feira, 20 de maio de 2010
vingança
regorgito vingança só para ela voltar para mim. apelo às mais altas instâncias que oiçam os meus apelos para ser vingado. vingado do tédio e monotonia que é viver o habitual capitalista e moralista da sociedade de cordeiros. da tv monopolizadora das crenças e preocupações dos fracos. a revolução corre nas minhas veias como o sangue que será derramado dos moralistas encarcerados na sua lógica monetária. incipientes e frustrados na sua cavalgada por tudo cinzento, igual e mesquinho como os próprios. monopolistas e castrados de uma sociedade que se encaminha pela via do fascismo social em que não há lugar para a diferênça.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
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