segunda-feira, 25 de maio de 2009

loucura

esperou por ele, aquela era a hora a que costumava chegar.
porco. o lixo da sociedade pós-moderna consumista ou consumida, depende do ponto de vista
olhava pelos seus binóculos do meio das persianas e ficava cada vez mais ansioso. tentava manter os olhos abertos.
já é tarde e aquela aberração não chega
mas chegou. pedro meteu a chave à porta. fernando ficou ainda mais ansioso perturbava-o o gesto de pedro. sentis uma certa repulsa por, todos os dias, o ver naquele acto.
aquele rato de esgoto vai pagá-las, monte de merda!
pedro entrou no prédio.

nessa noite não conseguiu dormir. estava muito calor e a ventoinha parecia fraquejar perante as várias horas de uso que já levava. quando, por instantes, adormecia, acordava todo suado. era sempre o mesmo pesadelo. corria num bosque e de repente via um animal parecido com um lobo ou um cão grande. este perseguia-o e quando o estava quase a apanhar fernando caia dentro de água e, sem saber nadar, afogáva-se. isso era o mais estranho do pesadelo pois ele até sabia nadar.
já nem consigo dormir e a culpa é daquele ser
no ar tresandava um cheiro a suor. já não tomava banho há uns meses e, por vezes, coçava-se como se fosse um cão com uma praga de pulgas. levantou-se e ligou a tv. estava a dar um programa sobre toxicodependentes que falavam sobre a sua não-vida de dependencia.
lixo humano. alguém devia acabar com o teu sofrimento
tirou do bolso uma fotografia e olhou-a fixamente. era a foto de uma rapariga com pouco mais de 15 anos.
amava-te tanto e agora morres-te. fugimos da tua familia para podermos estar juntos e agora...
chorou

saiu de manhã.
já há tanto tempo que não via a rua tão cedo
ia com olhos colados ao chão e sempre que passava uma pessoa era como se uma espada o trespassasse. preferia não os ver e fingir que estava só. mas não conseguia o que o fazia sentir pior. a partir de um momento deixou de sentir empatia pelo outro e, nesse momento, tornou-se algo que já não era um homem talvez um monstro. comprou uma arma e esperou por pedro.

quando pedro meteu a chave à porta fernando encostou-lhe a arma às costas.
tu vens comigo e com calma
não quero problemas... leve o que quiser
pensas que quero o teu dinheiro? não me conheces deves pensar que sou mais um vendido
levou-o para sua casa. prendeu-o a uma cadeira com fita adesiva e colocou-lhe uma mordaça na boca.
gajos com tu pensam que conseguem tudo na vida com dinheiro. boas roupas, um bom carro, uma gaja para dares umas fodas. deves pensar que tens tudo. mas não tens uma coisa que é o respeito. sim deves pensar que te respeitam por teres dinheiro. cobarde! aposto que nunca trabalhaste na tua vida o paizinho é que tá tudo. vês esta arma aqui? isto vai acabar com o nosso sofrimento. sei que também sofres e o dinheiro é só uma máscara. vou dar um tiro na cabeça e tu vais morrer à fome porque ninguém sabe que estás aqui. adeus

sexta-feira, 22 de maio de 2009

rape me

sandra passava o dia a trabalhar e chegava tarde a casa era o que se chamava uma profissional a tempo inteiro. normalmente estava num escritório a dar conselhos a homens ricos para ficarem ainda mais ricos. devassamente ricos alguns pensariam. mas sandra não via as coisas dessa maneira achava que quem tem dinheiro tem a obrigação de fazer mais dinheiro. nem que fosse para comprar um carro melhor ou para dar sentido à vida. tanto faz.

um dia saiu mais cedo do escritório e telefonou ao seu pai.
olá
olá, tudo bem?
olha podes passar na minha casa? sai mais cedo e assim dava-te o livro
não sei se posso ficar muito tempo mas passo lá às 19
ok tchau
beijo

chegou a casa e sentou-se no sofá. a espera deixava-a ansiosa e não o conseguia esconder. as suas mãos tremiam enquanto as apertava contra o peito. tocaram à porta. era seu pai.
olá

guilherme agarrou-a e deu-lhe um longo beijo. arrastaram-se para o quarto e, desafogadamente, tiraram a roupa um do outro. ele passou os lábios pelos orificios mais recondidos de sandra e ela não se parecia importar. o impulso de dois corpos em pleno prazer carnal e incestual.

és tão parecida com a tua mãe

agarrou-a pelos cabelos e, naquele momento, sentiu que tinha rejuvenescido 20 anos.
guilherme segredou o que os amantes costumam dizer.

amo-te

sandra levantou-se imediatamente.

não digas isso. um pai nunca devia dizer isso a uma filha
mas nós somos mais que pai e filha, somos amantes
não, não digas isso

e saiu de casa a correr enquanto lágrimas caiam pelo seu rosto. entrou no carro e conduziu como uma louca sem respeitar regras de qualquer esspécie. a culpa não lhe saia da cabeça e só pensava em fugir. fugir de si própria e da suja realidade que era a sua vida.
passou um sinal vermelho e, nesse preciso momento, alguém ia a passar a passadeira...

minutos depois chegou a policia. sandra foi presa. no tribunal alegou que, em casa, tinha sido violada pelo próprio pai. e que depois tinha conseguido fugir.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Stalags






No início da década de 60, os livros mais conhecidos em Israel eram os "Stalags", livros pornográficos que descreviam actos sadomasoquistas entre voluptuosas mulheres oficiais nazis e prisioneiros dos campos de concentração.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

amor

teresa ama júlio. júlio ama teresa. júlio, após 15 anos de casamento, teve um acidente de carro e ficou paraplégico. a partir desse dia morreu para a vida. passava os dias a olhar para a janela com uma garrafa de whisky na mão e costumava gritar: mas porque estou aqui? mais vale alguém meter fim ao meu sofrimento!
teresa de braços cruzados e com um olhar furioso costumava dizer: não fales dessa maneira, olha que podias ter ficado bem pior!
pior? como? já nem consigo ir à casa de banho sozinho. aliás a maior parte das vezes nem preciso de lá ir faço tudo aqui mesmo.
teresa sabia que júlio jamais iria andar e isso, de alguma forma, deixava-a furiosa. na noite do acidente júlio tinha saido para "experimentar outros pratos" como gostava de dizer. por vezes teresa pensava que tinha sido castigo de deus. nesse instante benzia-se e dizia para si própria: deus não é vingativo e ele não merecia isto!
numa dessas vezes júlio entrou na sala e viu-a no chão a deitar sangue da cabeça. tinha batido violentamente na parede enquanto gritava insanamente não! não! não!
júlio aproximou-se e agarrou-a ternamente como alguém que agarra um pássaro caido do ninho apenas para o voltar a meter no sitio a que pertence. beijou-a enquanto o sangue escorria pela testa e chegava aos lábios dos dois, selando um amor que já não tinha volta. olharam-se nos olhos durante alguns instantes até virarem as costas como se nada tivesse acontecido.

teresa também costumava olhar pela janela, mas para olhar para daniel que chegava sempre há mesma hora. numa conversa ele tinha confessado que estava farto do seu trabalho e que o tédio o invadia todas as noites. confidenciou-lhe que costumava recorrer aos serviços de uma prostituta para tentar matar pela raiz os males da solidão.

teresa resolveu ir ter com ele nessa noite. saiu sorrateiramente de casa, enquanto júlio via televisão, e tocou na casa ao lado. a porta abriu-se e, antes que pudesse dizer alguma coisa, teresa beijou-o na face. daniel respondeu com um beijo nos lábios arrebatando-a do chão. já não era a primeira vez que a tinha visto olhar para si do alto da sua janela. puxou-a para dentro.

nos dias a seguir sucedeu o mesmo. sempre que júlio estava a ver televisão teresa ia até casa do vizinho. estava lá durante meia hora e voltava ofegante com o cabelo despenteado. uma noite júlio supreendeu-a quando entrava. olhava-a de cima a baixo. sua puta! como és capaz?!
teresa olhava para o chão. as palavras, intermitentes, começaram a sair-lhe.
eu... tenho necessidades. não percebes... não consigo estar sem...
júlio desviou o olhar e afastou-se.

no outro dia à noite teresa escovava o cabelo e preparava-se para sair. júlio apareceu e na sua cabeça apareciam manchas negras com sangue pisado.
gostava de te ver com esse homem.
porquê?
já não sei amar, gostava de ver alguém te amar.
teresa encaminhou a sua cadeira até casa de daniel e tocou. alguém abriu mas não era daniel, era outro homem a quem tinha emprestado a chave. tudo se passou como o habitual...

sexta-feira, 8 de maio de 2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009