quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fim aos mitos do sexo

Psicóloga norte-americana analisa o que distingue homens e mulheres na intimidade

Eles podem falar de carros e futebol e nós de filhos ou de moda e podem propor-nos soluções milagrosas para os nossos dilemas, quando queríamos apenas que nos ouvissem.

Mas, para Terri Conley, professora doutorada de Psicologia na Universidade do Michigan e investigadora na área do estigma social e sexualidade, «homens e mulheres são mais semelhantes do que diferentes».

Coordenadora do artigo «Women, Men and the Bedroom», que reviu vários estudos científicos sobre os papéis sociais de ambos os géneros e a sua relação com a sexualidade, espera «ajudar a dissipar mitos comuns e a tornar as pessoas mais conscientes dos fatores sociais relacionados com o sexo (mais que razões supostamente baseadas na biologia)». Conheça a verdade por detrás de cada estereótipo, pela voz da autora.
1. Eles valorizam a aparência em vez do estatuto social

«A noção de que os homens querem uma parceira sexy enquanto elas querem um com alto estatuto baseia-se na análise dos parceiros ideais de jovens adultos», lê-se no artigo. A equipa de Terri Conley reviu um estudo que, para passar o foco de análise para o «real», se baseou nas perceções dos participantes face a pessoas que tinham conhecido em encontros de speed dating.

«A atração física e o estatuto são igualmente importantes para homens e mulheres», concluíram. «Quando confiamos nas perceções quanto a parceiros ideais, focamo-nos nos preconceitos das pessoas sobre os géneros», diz Terri Conley. «Este preconceito pode dissuadir homens e mulheres de desenvolverem relações adequadas porque suspeitam do outro género», sublinha ainda.
2. Elas sentem menos desejo e têm menos parceiros sexuais

Nos estudos sobre o número de parceiros sexuais de homens e mulheres, «os participantes muitas vezes comportam-se de formas que acreditam parecerem bem para as outras pessoas», advogam Terri Conley e a sua equipa. Para eliminar este efeito, os autores de um estudo de 2003 submeteram os participantes a um (falso) polígrafo enquanto os questionavam sobre a sua história sexual, o que os fez acreditar que as mentiras seriam detetadas.

Como resultado, as diferenças típicas entre eles e elas desapareceram. «É comum que as mulheres possam sentir menos desejo porque o encaram como socialmente indesejável. Talvez sentissem mais desejo focando-se em modelos sociais que são sexualmente assertivos», destacam ainda os investigadores.
3. Eles pensam mais em sexo

Esta ideia é contrariada por um estudo de 2011. Durante uma semana, estudantes universitários usaram contadores manuais para registarem o número de vezes que pensavam em sexo, em comida e em dormir. «Os homens pensaram ligeiramente mais em sexo, mas também pensaram significativamente mais em comer e dormir», diz Terri Conley.

Segundo a especialista, «a um nível menos consciente, elas possivelmente pensam menos nas suas necessidades pessoais porque foram socializadas para serem mais altruístas e cuidarem dos outros. Mas também pode haver vergonha consciente porque reconhecem que é menos socialmente aceite que expressem os seus desejos». «Para estarem mais atentas às suas necessidades e desejos físicos, as mulheres devem ter uma mente mais aberta e aprender a comunicar melhor com o seu corpo», refere.

4. Elas atingem o orgasmo com menos frequência

Em 2009, ao examinar as respostas de cerca de 13 mil estudantes universitários a um inquérito nacional e entrevistar raparigas sobre as suas experiências sexuais, investigadores dos Estados Unidos da América apuraram que «apenas 32 por cento das mulheres tinha orgasmo com a mesma frequência que os homens nas primeiras ligações, 49 por cento em ligações repetidas com o mesmo parceiro e 79 por cento em relações estáveis».

As conclusões mostram resultados surpreendentes.

«Os homens são mais generosos a dar atenção sexual não coital (preliminares) às parceiras em relações com compromisso» e que «elas reportaram mais estimulação clitórica em encontros sexuais de relações estáveis», revela Terri Conley. «O clítoris é a fonte primordial de prazer feminino. Dizer o que se quer, guiar as mãos ou corpo do parceiro ou assinalar o que sabe bem é normalmente bem recebido e pode fazer a diferença», sublinha.
5. Eles gostam mais de sexo casual

Num estudo de 1989, 70 por cento dos homens e zero por cento das mulheres aceitaram propostas de sexo casual. Em questionários sobre propostas hipotéticas deste tipo, Terri Conley constatou que as diferenças entre géneros desapareciam para proponentes famosos muito atraentes e pouco atraentes, bem como para amigos próximos considerados «grandes amantes» que trariam «experiências sexuais positivas».

Ao analisar vários estudos, concluiu que «as mulheres aceitavam menos propostas porque consideravam que os proponentes masculinos tinham capacidades sexuais relativamente baixas» e que «as diferenças eram mínimas quando elas sentiam que podiam evitar ser estigmatizadas pelo envolvimento».

«É menos provável que as mulheres tenham sexo casual porque consideram existir poucas hipóteses de obterem prazer sexual, mas muitas obtêm-no. Este tipo de encontros não tem que ser psicologicamente perturbador, como muitas vezes se faz parecer», refere ainda Terri Conley.
6. Elas são mais seletivas ao escolher parceiros sexuais

Esta ideia «baseia-se na dinâmica de géneros tradicional da nossa cultura», em que, por norma, são eles que se aproximam delas, argumenta Terri Conley. Para testar esta tese, um estudo de 2009 analisou os comportamentos dos dois géneros em encontros de speed dating em que ambos tomavam a iniciativa.

«Quando elas se aproximavam deles, comportavam-se mais como homens (sendo menos seletivas) e eles mais como mulheres (tornando-se mais seletivos)», nota o artigo. Assim, «as mulheres são mais seletivas, mas apenas porque são abordadas mais vezes», enfatiza.

«O processo de aproximação é psicologicamente estimulante, tornando quem abordamos mais atraente. Se as mulheres estão sempre a ser abordadas, podem sentir que têm opções ilimitadas e ficar à espera da próxima aproximação. Ao perceberem como é difícil ter a iniciativa, podem desenvolver mais empatia pelos homens», afirma ainda.

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