há muito tempo que estava sozinho. saia do trabalho e apanhava o comboio sempre há mesma hora. a mulher de cabelos compridos sentava-se sempre no banco da frente. durante a viagem olhava-a de cima a baixo, não sabia como lhe dizer que a amava. nem sequer tinham falado mas ele sabia que o que sentia por ela era amor. de vez em quando ela também o olhava, mas discretamente, ao ponto de ele não reparar. usava sempre óculos escuro para não se notar em que direcção olhava. ele todos os dias sonhava com ela. nos dias seguintes sentiu o impulso de ir falar com ela mas este era menor que o medo de ser rejeitado. no trabalho o chefe que o chateava todos os dias convidou-o para beberem um copo. saiu de lá perdido de bêbado e seguiu de imediato para o comboio. encontrou-a e disse:
olá
olá, eu conheço-te?
acho que sim. vêmo-nos tdos os dias no comboio mas não nos falamos
e deviamos?
acho que sim afinal somos apenas pessoas. animaizinhos que andam por aqui a tentar ser felizes. e a maior parte das vezes nem o somos
mas somos animais diferentes porque pensamos
sim mas por vezes também pensamos demais. deviamos nos guiar mais pelos instintos e apenas sobreviver
e ai como ficaria a cultura? não achas que ela é necessária?
apenas como fonte de catarse. acho que a cultura é sobrevalorizada, não alimenta o corpo
mas alimenta a alma
a partir desse dia os dois foram sempre a falar e nunca mais se sentiram sós.
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