esperou por ele, aquela era a hora a que costumava chegar.
porco. o lixo da sociedade pós-moderna consumista ou consumida, depende do ponto de vista
olhava pelos seus binóculos do meio das persianas e ficava cada vez mais ansioso. tentava manter os olhos abertos.
já é tarde e aquela aberração não chega
mas chegou. pedro meteu a chave à porta. fernando ficou ainda mais ansioso perturbava-o o gesto de pedro. sentis uma certa repulsa por, todos os dias, o ver naquele acto.
aquele rato de esgoto vai pagá-las, monte de merda!
pedro entrou no prédio.
nessa noite não conseguiu dormir. estava muito calor e a ventoinha parecia fraquejar perante as várias horas de uso que já levava. quando, por instantes, adormecia, acordava todo suado. era sempre o mesmo pesadelo. corria num bosque e de repente via um animal parecido com um lobo ou um cão grande. este perseguia-o e quando o estava quase a apanhar fernando caia dentro de água e, sem saber nadar, afogáva-se. isso era o mais estranho do pesadelo pois ele até sabia nadar.
já nem consigo dormir e a culpa é daquele ser
no ar tresandava um cheiro a suor. já não tomava banho há uns meses e, por vezes, coçava-se como se fosse um cão com uma praga de pulgas. levantou-se e ligou a tv. estava a dar um programa sobre toxicodependentes que falavam sobre a sua não-vida de dependencia.
lixo humano. alguém devia acabar com o teu sofrimento
tirou do bolso uma fotografia e olhou-a fixamente. era a foto de uma rapariga com pouco mais de 15 anos.
amava-te tanto e agora morres-te. fugimos da tua familia para podermos estar juntos e agora...
chorou
saiu de manhã.
já há tanto tempo que não via a rua tão cedo
ia com olhos colados ao chão e sempre que passava uma pessoa era como se uma espada o trespassasse. preferia não os ver e fingir que estava só. mas não conseguia o que o fazia sentir pior. a partir de um momento deixou de sentir empatia pelo outro e, nesse momento, tornou-se algo que já não era um homem talvez um monstro. comprou uma arma e esperou por pedro.
quando pedro meteu a chave à porta fernando encostou-lhe a arma às costas.
tu vens comigo e com calma
não quero problemas... leve o que quiser
pensas que quero o teu dinheiro? não me conheces deves pensar que sou mais um vendido
levou-o para sua casa. prendeu-o a uma cadeira com fita adesiva e colocou-lhe uma mordaça na boca.
gajos com tu pensam que conseguem tudo na vida com dinheiro. boas roupas, um bom carro, uma gaja para dares umas fodas. deves pensar que tens tudo. mas não tens uma coisa que é o respeito. sim deves pensar que te respeitam por teres dinheiro. cobarde! aposto que nunca trabalhaste na tua vida o paizinho é que tá tudo. vês esta arma aqui? isto vai acabar com o nosso sofrimento. sei que também sofres e o dinheiro é só uma máscara. vou dar um tiro na cabeça e tu vais morrer à fome porque ninguém sabe que estás aqui. adeus
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